MOACYR FENELON
Nascido em 05 de novembro de 1903
Falecido em 14 de agosto de 1953

Ao regressar ao Brasil, Fenelon deu um importante passo na história do cinema nacional: com o sonho de transformar em indústria o cinema brasileiro, criou sucessivamente quatro produtoras de cinema: “Atlântida Cinematográfica”, “Cine Produções Fenelon”, “Flama Filmes” e “Sono Filmes”. Com os conhecimentos que adquiriu, passou a adaptar as antigas câmeras do cinema mudo para filmar com o som sincronizado. Ao criar a Atlântida, desejava fazer um cinema de conteúdo, de “pés no chão”, como ele mesmo dizia. Na época, todo o cinema brasileiro era puramente de entretenimento.
Dirigiu quinze filmes: O Simpático Jeremías (1940), É Proibido Sonhar (1943), Gente Honesta (1944), Vidas Solitárias (1945), Fantasma Por Acaso (1946), Sob a Luz do Meu Bairro (1946), Asas Do Brasil (1947), Esta É Fina (1948), Poeira de Estrelas (1948), Obrigado, Doutor (1948), O Homem Que Passa (1949), Dominó Negro (1949), Todos Por Um (1950), Milagre De Amor (1951), Tudo Azul (1952). Contribuiu também, de muitas maneiras, e nos mais diversos setores, para um número considerável de filmes de outros diretores como produtor, roteirista, ator, técnico de som, editor, iluminador, produtor de arte, cinegrafista e assistente de direção. Seus filmes revelam uma preocupação social e um realismo raros na época. “Tudo Azul” é considerado seu melhor filme e foi recentemente restaurado.
Passaram-se alguns anos até que soube que teria de enfrentar uma cirurgia no coração. Sabia que tinha uma probabilidade em cem de se recuperar. Mas, jogando nessa probabilidade única, levou para o hospital vários projetos de filmes, que esperava estudar durante a convalescença. Perdendo a jogada, Fenelon encerrou, pouco antes de completar cinquenta anos, sua luta apaixonada de quase um quarto de século pelo cinema brasileiro.
Ao morrer, no Rio de Janeiro, a 14 de agosto de 1953, era Presidente do Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica, o órgão dos produtores. Mas, muito antes fora o primeiro a falar e agir em benefício da sindicalização dos trabalhadores do cinema brasileiro. Morreu coincidentemente no ano que o então distrito de Patrocínio do Muriaé passou à categoria de cidade.
Moacyr Fenelon, criador da indústria do cinema brasileiro, criador da Atlântida Cinematográfica, descobridor de talentos, como Grande Otelo, é um dos principais nomes da história do cinema nacional.
Seu nome foi dado a uma rua na Barra da Tijuca no Rio de Janeiro e à Escola Municipal de Artes Visuais em Muriaé.