Catarismo: em busca da pureza espiritual

Os Cátaros, cujo nome em grego significa “puros”, não queriam mais do que pregar a pureza espiritual e moral e, justamente por contrariarem e se rebelarem contra as regras da Igreja de Roma, foram acusados de heresia e aniquilados.

O Catarismo teve a sua origem no próprio Cristianismo e seu primeiro grupo conhecido surgiu por volta do ano 1120, em Limousin, na França. Apesar de sua origem cristã, acabou sendo marcado por profundas diferenças, organizando-se em uma teologia que chegava a negar a divindade de Cristo e pregava com veemência a igualdade entre homens e mulheres.

Aproveitando-se das contradições da Igreja de Roma naquele final do séc. XII, a influência dos Cátaros, que pregavam a rigidez no comportamento moral e o desapego aos bens materiais, cresceu rapidamente e em 1167 alguns cátaros  reuniram-se em Concílio em uma cidade do sul da França e ali organizaram as bases do Catarismo.  Não eram apenas religiosos da região do Languedoc mas vinham da Lombardia, da Catalunha e de locais mais distantes. O organizador desse encontro foi um cristão dissidente de Constantinopla, chamado Nicetas e que passou a ser chamado de Papa do novo movimento religioso.

Os Cátaros tinham como texto básico a Bíblia, principalmente o Novo Testamento mas divergiam muito do Catolicismo Romano. Em primeiro lugar eram dualistas, acreditando que o mundo possuía dois reinos, que eram opostos. O primeiro, comandado por Deus, era invisível e formado apenas pelo bem. O segundo era material e visível aos homens e era controlado pelo diabo. Em outras palavras, o inferno ficava na Terra e sendo assim, a meta principal do ser humano seria afastar-se das coisas deste mundo para conseguir a purificação do espírito.

O problema maior não foi a discordância teológica entre o Catolicismo de Roma e a visão de mundo dos Cátaros, o que mais chocou foi a maneira como os Cátaros foram aniquilados por um poder papal que, naquela época, dominava toda a Europa.

O massacre dos Cátaros iniciou-se no Papado de Inocêncio III e se completou no Papado de Gregório IX, que assumiu em 1227. Justamente em função das ações para o aniquilamento do Catarismo, o Papa Gregório IX criou em 1231, através da bula “Excommunicamus”, o Tribunal da Santa Inquisição, instrumento para julgar e condenar, normalmente à fogueira em praça pública, os acusados de heresia.

As ações contra os Cátaros chegaram a contar com Cruzadas, formadas por tropas militares comandadas por nobres fieis ao Papado de Roma. Em julho de 1209, ainda sob o Papado de Inocêncio III, organizou-se a primeira Cruzada, liderada pelo Bispo Folquet, de Marselha, tendo Simon de Montfort comandando um exército de dez mil homens, a chamada Cruzada Albigense. A violência foi tanta no ataque à fortaleza de Béziers, que quando o comandante afirmou que não tinha como diferenciar os cátaros dos demais habitantes do local atacado, o abade Arnaud de Amaury teria respondido: “matem todos, Deus saberá reconhecer os seus”.

A última ação militar foi o cerco a Montséguir, em 1243. A Santa Inquisição já era o melhor instrumento para combater a dissidência no campo religioso e o “fogo purificador” seria o meio de salvar as almas desviadas do bom caminho.

O massacre de Montséguir em 1243, pela violência como ocorreu, viria a servir de tema para uma música da Banda de Heavy Metal “Iron Maiden” na década de 1970. Através das vibrantes cordas de suas guitarras e baixos e da potente bateria, aliados a uma letra realista e tocante, a famosa banda de Rock prestou uma homenagem às vítimas daquele sombrio ano de 1243. Um grupo religioso coberto por suas vestes negras, calçando sandálias gastas pelas longas caminhadas que, entre erros e acertos, cometeram o pecado da discordância.

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