{"id":62702,"date":"2018-10-04T19:51:43","date_gmt":"2018-10-04T22:51:43","guid":{"rendered":"http:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/?p=62702"},"modified":"2018-10-04T19:51:43","modified_gmt":"2018-10-04T22:51:43","slug":"luiz-gonzaga-da-silva-o-nosso-inesquecivel-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/luiz-gonzaga-da-silva-o-nosso-inesquecivel-professor\/","title":{"rendered":"LUIZ GONZAGA DA SILVA,  O NOSSO INESQUEC\u00cdVEL PROFESSOR"},"content":{"rendered":"<p>Adellunar Marge<\/p>\n<p>Machado de Assis dizia que h\u00e1 pessoas que quando nascem n\u00e3o aumentam a popula\u00e7\u00e3o e quando morrem, tamb\u00e9m n\u00e3o a diminuem. Passam apenas pela exist\u00eancia como acidentes de percurso. Ah&#8230; mas existem aqueles que fazem a diferen\u00e7a pelo bem que fazem a uma sociedade. O Prof. Luiz Gonzaga foi um desses e deixou uma profunda saudade no cora\u00e7\u00e3o daqueles que o conheceram.<\/p>\n<p>Tive o prazer da sua amizade por longo tempo. Na Faculdade Santa Marcelina trabalhamos juntos por quase trinta anos e como aprendi com ele, um \u00edcone da cultura e do conhecimento em nossa regi\u00e3o. Os mist\u00e9rios da exist\u00eancia, o destino final do homem, sempre ocuparam um lugar de destaque em suas preocupa\u00e7\u00f5es e foram motores para a sua busca incessante. Foi em um desses momentos que o amigo Luiz Gonzaga escreveu duas cartas testamento. Uma para mim, outra para o Prof. L\u00facio Gusman. Afinal, form\u00e1vamos uma tr\u00edade de amigos na Faculdade e em nossos lugares cativos no Refeit\u00f3rio daquela institui\u00e7\u00e3o, na hora do intervalo entre as aulas, discut\u00edamos os mist\u00e9rios insol\u00faveis da exist\u00eancia humana. Nunca cheg\u00e1vamos a um acordo, mas a procura jamais cessava em nenhum de n\u00f3s.<\/p>\n<p>A carta, datada de 03 de maio de 1985, dia em que o Luiz completava 43 anos de idade, guardada em uma gaveta da minha biblioteca, trazia j\u00e1 as p\u00e1ginas e o envelope amarelecidos pelo tempo, mas estava lacrada como a recebi h\u00e1 33 anos com a assinatura do Luiz em todas as bordas do seu fechamento. N\u00e3o posso negar que foi com um profundo sentimento de perda e de tristeza que recebi, no in\u00edcio da manh\u00e3 do dia 28 de setembro \u00faltimo, a not\u00edcia do falecimento do grande amigo. Fui a minha biblioteca, retirei o amarelado envelope de dentro da gaveta, contemplei por um tempo suas assinaturas que lacravam as\u00a0 bordas e o abri. Suas palavras, dirigidas a mim, me dignificaram muito al\u00e9m do meu merecimento, mas as suas recomenda\u00e7\u00f5es para o adeus ao seu corpo foram precisas e met\u00f3dicas como tudo que ele fazia em vida.<\/p>\n<p>Agora passo para a proximidade da primeira pessoa e me dirijo a voc\u00ea, amigo. A leitura de uns Salmos e de uma passagem de Jo\u00e3o seriam miss\u00f5es f\u00e1ceis se voc\u00ea, amigo Luiz, met\u00f3dico e exigente como sempre foi, n\u00e3o as quisesse tiradas de uma B\u00edblia de mil novecentos e guaran\u00e1 de rolha, traduzida por Jo\u00e3o Ferreira de Almeida, no in\u00edcio do s\u00e9culo passado que , ainda bem, encontramos em sua pr\u00f3pria Biblioteca, ou por obra do acaso ou por sua interven\u00e7\u00e3o espiritual, n\u00e3o sei. O certo \u00e9 que cumprimos as suas determina\u00e7\u00f5es. As leituras foram feitas, as flores brancas e amarelas cobriram o seu corpo. Tudo como voc\u00ea pediu. Quanto \u00e0s l\u00e1grimas e o embargo da voz, que voc\u00ea n\u00e3o queria, sinto muito amigo, mas n\u00e3o demos a voc\u00ea o direito de impedi-los.<\/p>\n<p>Veja, Luiz, n\u00e3o foi dif\u00edcil seguir as suas recomenda\u00e7\u00f5es. Dif\u00edcil vai ser suportar a sua aus\u00eancia. Sei que a saudade vai bater em cada momento em que o recordarmos em cada um dos lugares em que voc\u00ea passava, nas receitas de Tomate Seco e da Torta de Ma\u00e7\u00e3 da Dona Nair que voc\u00ea nos passava. Ali voc\u00ea estar\u00e1, indiscern\u00edvel. Muria\u00e9, meu querido amigo Luiz, \u00a0n\u00e3o vai ser mais a mesma. Falta algu\u00e9m pelos corredores da Faculdade, falta algu\u00e9m transitando entre as gentes nos dias de feira. Mas quer saber de uma coisa, j\u00e1 saudoso amigo? A dor da perda vai ser sempre amenizada pelas lembran\u00e7as que voc\u00ea deixou. Ningu\u00e9m lembrar\u00e1 da sua morte, mas levaremos sim as lembran\u00e7as da sua vida, das suas aulas, do seu jeito sol\u00edcito de lidar com os alunos e os amigos, dos seus passeios semanais pela feira, chamando cada feirante pelo nome, do seu desjejum com os pasteis e churrasquinhos que entupiam as suas coron\u00e1rias mas arrancavam o sorriso dos feirantes que o serviam.<\/p>\n<p>Ah Luiz&#8230;se existe vida depois dessa exist\u00eancia (e tor\u00e7o para que exista), agora voc\u00ea poder\u00e1 caminhar \u00e0 vontade sem os inc\u00f4modos da sua dolorida artrose. Arranje com o L\u00facio uma mesinha \u00e0 sombra, com tr\u00eas lugares e me aguardem. Temos longos papos para colocar em dia. Mas como voc\u00ea sabe, querido Luiz, sempre fui um existencialista incorrig\u00edvel e valorizo muito a vida por aqui. Por isso, n\u00e3o se espantem se eu demorar ainda um pouco para chegar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adellunar Marge Machado de Assis dizia que h\u00e1 pessoas que quando nascem n\u00e3o aumentam a popula\u00e7\u00e3o e quando morrem, tamb\u00e9m n\u00e3o a diminuem. Passam apenas pela exist\u00eancia como acidentes de percurso. Ah&#8230; mas existem aqueles que fazem a diferen\u00e7a pelo bem que fazem a uma sociedade. 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