{"id":61927,"date":"2018-09-20T21:00:01","date_gmt":"2018-09-21T00:00:01","guid":{"rendered":"http:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/?p=61927"},"modified":"2018-09-20T21:00:01","modified_gmt":"2018-09-21T00:00:01","slug":"no-tempo-das-calcas-curtas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/no-tempo-das-calcas-curtas\/","title":{"rendered":"NO TEMPO DAS CAL\u00c7AS CURTAS"},"content":{"rendered":"<p>Adellunar Marge<\/p>\n<p>Naqueles tempos (que na mem\u00f3ria v\u00e3o t\u00e3o longe que quase se perdem na lembran\u00e7a) a inf\u00e2ncia era bem diferente. Nem pior, nem melhor, apenas diferente em raz\u00e3o do tempo. And\u00e1vamos de cal\u00e7as curtas com suspens\u00f3rios de pano, com dois bolsos espa\u00e7osos, capazes de conter todos os tesouros de uma crian\u00e7a da \u00e9poca: uma atiradeira com gancho de esperta e el\u00e1sticos de c\u00e2mara de ar de bicicleta, bolas de gude, algumas tampinhas de cerveja e um pe\u00e3o de Cabi\u00fana com ponta de a\u00e7o afiado, capaz de aceitar qualquer desafio nos torneios de cal\u00e7ada.<\/p>\n<p>And\u00e1vamos descal\u00e7os, peg\u00e1vamos passarinhos em arapucas de bambus para depois&#8230; logo depois, devolv\u00ea-los \u00e0 liberdade, s\u00f3 pelo prazer da ast\u00facia de garoto. A pris\u00e3o tempor\u00e1ria eram caixotes de \u201cMaisena\u201d telados de um lado, de onde os aflitos coleirinhos e rolinhas, espreitavam a liberdade que viria logo, sem necessidade de HC no STF.<\/p>\n<p>As ruas, com rar\u00edssimos autom\u00f3veis, com cal\u00e7amento de paralelep\u00edpedos, se prestavam a campos de \u201cpelada\u201d com \u201cbolas de meia\u201d e balizas demarcadas com dois tijolos. De quando em quando era um ded\u00e3o machucado, uma unha quebrada nos ressaltos do cal\u00e7amento. A Desembargador Can\u00eado era o nosso Est\u00e1dio de todos os dias. Nos dias de chuva o andar pelas enxurradas no canto dos meio-fios, a bronca das m\u00e3es e as gripes e resfriados que terminavam em agulhadas dolorosas de Benzetacil. Mas como falava o poeta portugu\u00eas Fernando Pessoa, \u201ctudo vale a pena, se a alma n\u00e3o \u00e9 pequena\u201d e n\u00e3o existe alma maior e mais pura do que a de uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>A\u00ed, vinha a adolesc\u00eancia, as primeiras espinhas no rosto, o despertar da sexualidade, as leituras noturnas das revistas do \u201cX-9\u201d, do \u201cTarzan\u201d e a transi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e necess\u00e1ria para o jovem adulto que surgia. Com o adulto, as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es de vaidade, a grudenta Brilhantina Glostora, os pentes de osso no bolso de tr\u00e1s da cal\u00e7a, sapatos engraxados e o olhar atento nas meninas. Nos finais de semana os bailes ou \u201cbrincadeiras\u201d nas casas de fam\u00edlia, com uma Eletrola sempre a embalar os nossos sonhos com os memor\u00e1veis Boleros em 78 rpm, de uma Cuba ainda n\u00e3o destru\u00edda pela ditadura Castro. Uma vez ao ano o memor\u00e1vel Carnaval no MTC. Eram sim bons tempos. N\u00e3o que os de hoje tamb\u00e9m n\u00e3o o sejam. Cada \u00e9poca tem os seus encantos e os seus desencantos. \u00c9 claro que as crian\u00e7as e muitos adultos de hoje n\u00e3o conheceram os motores a pedal dos dentistas de antigamente, os tratamentos de canal com \u00f3leo de cravo, as embroca\u00e7\u00f5es das am\u00edgdalas com iodo e as mulheres nem sonham com os partos dolorosos e traum\u00e1ticos com \u201cf\u00f3rceps\u201d. \u00c9, t\u00eam coisas que, definitivamente, n\u00e3o deixaram saudades mesmo.<\/p>\n<p>Mas na pol\u00edtica a saudade permanece. Saudade daqueles vultos de fibra e conhecimento que nos representavam no Congresso Nacional. Quando lembramos de nomes como Afonso Arinos de Melo Franco, Gustavo Capanema, Ot\u00e1vio Mangabeira, Milton Campos, C\u00e9lio Borja, Nelson Carneiro, entre tantos outros, n\u00e3o resistimos a compara\u00e7\u00e3o com a quadrilha do \u201cmensal\u00e3o\u201d e do \u201cpetrorrombo\u201d que assaltou os cofres p\u00fablicos e amesquinhou as nossas institui\u00e7\u00f5es nesses \u00faltimos treze anos. Alguns j\u00e1 est\u00e3o presos e cumprindo pena por corrup\u00e7\u00e3o, lavagem de dinheiro e associa\u00e7\u00e3o criminosa, mas outros, por morosidade ou recursos da lei, ainda est\u00e3o soltinhos por a\u00ed. Mas querem voltar ao poder a todo custo, contando com a patol\u00f3gica ideologia de uma minoria da popula\u00e7\u00e3o. O pior \u00e9 que eu nunca confiei nas urnas eletr\u00f4nicas. Por que os pa\u00edses mais adiantados do mundo n\u00e3o as usam ? Ser\u00e1 que n\u00f3s somos os supra sumos da intelig\u00eancia e da vanguarda tecnol\u00f3gica? Tenho saudade daquelas c\u00e9dulas de papel que podiam ser contadas e recontadas at\u00e9 n\u00e3o pairar mais nenhuma d\u00favida sobre a express\u00e3o da vontade popular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adellunar Marge Naqueles tempos (que na mem\u00f3ria v\u00e3o t\u00e3o longe que quase se perdem na lembran\u00e7a) a inf\u00e2ncia era bem diferente. Nem pior, nem melhor, apenas diferente em raz\u00e3o do tempo. 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