{"id":44445,"date":"2017-11-01T20:46:15","date_gmt":"2017-11-01T23:46:15","guid":{"rendered":"http:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/?p=44445"},"modified":"2017-11-01T20:55:54","modified_gmt":"2017-11-01T23:55:54","slug":"ensino-universitario-e-competencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/ensino-universitario-e-competencia\/","title":{"rendered":"Ensino universit\u00e1rio e compet\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Adellunar Marge<\/p>\n<p>O ensino universit\u00e1rio \u00e9 um instrumento antigo para a transmiss\u00e3o e, principalmente, para a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. Surgiu e come\u00e7ou a se consolidar na Idade M\u00e9dia, a partir dos s\u00e9culos XII e XIII na Europa. Principalmente na Fran\u00e7a, It\u00e1lia e na Inglaterra. Em todos esses s\u00e9culos as Universidades evolu\u00edram nesses pa\u00edses, e se transformaram na base do desenvolvimento dessas na\u00e7\u00f5es. O que sempre caracterizou esses centros de saber foram, essencialmente, a seriedade e a obriga\u00e7\u00e3o de formarem a intelig\u00eancia em seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>Da Europa, esse modelo foi cooptado por outros pa\u00edses, como os EUA, que aprimoraram ainda mais o seu modelo, modernizando a sua gest\u00e3o atrav\u00e9s de Funda\u00e7\u00f5es e entidades particulares, libertando-as da estatiza\u00e7\u00e3o. Foi uma pena que em nosso pa\u00eds, arraigado ao \u201cgigantismo de Estado\u201d, fez-se das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior p\u00fablicas, um modelo de burocracia e escoamento de gigantescas verbas, sem a contrapartida correspondente, que seria um ensino de qualidade inquestion\u00e1vel.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias assisti em uma entrevista, um coment\u00e1rio estranho do Presidente da Academia Brasileira de Ci\u00eancias, dizendo que o Governo cortou verbas das Universidades comprometendo o desenvolvimento cient\u00edfico no pa\u00eds. Com a crise, deve ter cortado sim muitos recursos e n\u00e3o s\u00f3 da educa\u00e7\u00e3o, mas de muitas outras \u00e1reas. Mas a verdade \u00e9 que o problema n\u00e3o est\u00e1 e nunca esteve na falta de recursos financeiros em nossas Universidades, o que sempre faltou e falta \u00e9 administra\u00e7\u00e3o. Enquanto as grandes Universidades na Europa, nos EUA e em outras partes do mundo primam pela administra\u00e7\u00e3o dos recursos que t\u00eam e pela constru\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico, em nosso pa\u00eds se pede verbas e mais verbas, como se o dinheiro e n\u00e3o a compet\u00eancia administrativa fosse a m\u00e1gica solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que pouca gente sabe \u00e9 que as universidades de S\u00e3o Paulo (USP, UNESP e UNICAMP), por exemplo, consomem um or\u00e7amento muito maior do que a Universidade de Berkeley. A Universidade de Berkeley j\u00e1 teve cerca de 40 pr\u00eamios Nobel, a de Harvard, mais de 60, a de Princeton, nem se fala e as Universidades de S\u00e3o Paulo&#8230;nenhum. Se n\u00e3o querem aceitar isso como medida de avalia\u00e7\u00e3o, tudo bem, existe um relat\u00f3rio anual de classifica\u00e7\u00e3o das Universidades no mundo todo, baseado na qualidade do seu ensino e pesquisa. Harvard, Princeton, John Hopkins,(nos EUA), Oxford, Cambridge (Ingl.) est\u00e3o l\u00e1 no topo da classifica\u00e7\u00e3o. A maior parte delas, principalmente as norte-americanas, n\u00e3o s\u00e3o p\u00fablicas. S\u00e3o mantidas por Funda\u00e7\u00f5es de grandes empresas particulares e administradas por Conselhos e n\u00e3o pelo poder p\u00fablico. A nossa USP, no ano passado ficou no 121\u00ba lugar nessa classifica\u00e7\u00e3o, a Unicamp ficou no 182\u00ba lugar, a UFRJ, em 311\u00ba lugar, a UNESP em 491\u00ba lugar, a UFRGS em 501\u00ba lugar. \u00c9 s\u00f3 examinar o Ranking das Universidades nas paginas da Internet. Se o dinheiro fosse o problema, e n\u00e3o a administra\u00e7\u00e3o, a Venezuela, com a sua fant\u00e1stica produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo n\u00e3o estaria na bananosa em que est\u00e1.<\/p>\n<p>A nossa educa\u00e7\u00e3o, mesmo a dos primeiros anos, vem ficando na rabada das classifica\u00e7\u00f5es feitas por \u00f3rg\u00e3os da ONU, h\u00e1 muitos anos. O germe desse desastre na educa\u00e7\u00e3o pode at\u00e9 ter diversas origens, mas sem d\u00favida a principal delas foi a esquerdiza\u00e7\u00e3o das nossas \u201cUniversitas\u201d. H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o de uma \u201cInteligentzia\u201d calcada nos pressupostos retr\u00f3grados de Marx, Gramsci e outros sauros, que inviabilizam mesmo qualquer avan\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o ao futuro. Esse pessoal, sem duvida alguma, n\u00e3o deve ter problemas al\u00e9rgicos, pois mexer com aqueles comp\u00eandios velhos cheirando a mofo e \u00e0 naftalina n\u00e3o deve ser f\u00e1cil. E olha que j\u00e1 tivemos muita gente conceituada no conhecimento que fizeram sucesso em grandes Universidades dos EUA e Europa, mas \u00e9 claro que a forma\u00e7\u00e3o desses docentes foi completada nessas grandes Universidades do exterior e l\u00e1, eles andavam sempre dentro das normas daquelas entidades superiores. Aqui&#8230; defendem o retrocesso do megaestado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adellunar Marge O ensino universit\u00e1rio \u00e9 um instrumento antigo para a transmiss\u00e3o e, principalmente, para a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. Surgiu e come\u00e7ou a se consolidar na Idade M\u00e9dia, a partir dos s\u00e9culos XII e XIII na Europa. Principalmente na Fran\u00e7a, It\u00e1lia e na Inglaterra. 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