{"id":42679,"date":"2017-10-19T18:20:26","date_gmt":"2017-10-19T21:20:26","guid":{"rendered":"http:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/?p=42679"},"modified":"2017-10-19T18:20:26","modified_gmt":"2017-10-19T21:20:26","slug":"mercado-de-trabalho-precisa-de-mais-inclusao-afirmam-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/mercado-de-trabalho-precisa-de-mais-inclusao-afirmam-especialistas\/","title":{"rendered":"Mercado de trabalho precisa de mais inclus\u00e3o, afirmam especialistas"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Mercado-de-trabalho-precisa-de-mais-inclus\u00e3o-afirmam-especialistas.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-42680 alignleft\" src=\"https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Mercado-de-trabalho-precisa-de-mais-inclus\u00e3o-afirmam-especialistas-300x290.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Mercado-de-trabalho-precisa-de-mais-inclus\u00e3o-afirmam-especialistas-300x290.jpg 300w, https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/Mercado-de-trabalho-precisa-de-mais-inclus\u00e3o-afirmam-especialistas.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Deputado federal Misael Varella fala sobre projeto de inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia no mercado de trabalho, no qual \u00e9 relator<\/em><\/p>\n<p>Por Jalila Arabi*<\/p>\n<p>Todos os dias, Roselma da Silva Cavalcante, de 47 anos, cumpre uma agenda cheia. Para chegar ao trabalho, a cearense que mora no Distrito Federal h\u00e1 quase 40 anos pega o metr\u00f4, muitas vezes lotado. Sempre depois do trabalho, que \u00e9 intenso, Roselma sobe em mais um \u00f4nibus e vai para a nata\u00e7\u00e3o, atividade que faz quest\u00e3o de praticar todos os dias. Tudo isso seria natural se n\u00e3o fosse por um detalhe: Roselma teve paralisia infantil aos 12 meses de idade e tem o lado direito do corpo comprometido. Ela \u00e9 uma das mais de 45 milh\u00f5es de pessoas no Brasil com defici\u00eancia, segundo o \u00faltimo censo demogr\u00e1fico do IBGE.<\/p>\n<p>As pessoas com alguma defici\u00eancia visual ou auditiva s\u00e3o maioria, segundo o censo. A defici\u00eancia motora vem em seguida e \u00e9 a que mais mant\u00e9m essas pessoas no mercado de trabalho. Dados divulgados recentemente pelo Minist\u00e9rio do Trabalho mostram que existem mais de 356,3 mil pessoas com defici\u00eancia trabalhando no Brasil, sendo 56,34% &#8211; ou mais de 200 mil &#8211; com alguma defici\u00eancia f\u00edsica. Roselma \u00e9 uma delas e atua na \u00e1rea de empregabilidade de pessoas com defici\u00eancia desde 1998. Atualmente, ela est\u00e1 na Coordena\u00e7\u00e3o dos Direitos da Pessoa com Defici\u00eancia, localizada na Esta\u00e7\u00e3o 112 Sul, no Metr\u00f4 do DF. L\u00e1, ela encaminha pessoas para empresas que queiram contratar.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Roselma nota que a maioria das empresas contrata apenas para fun\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os gerais. Na opini\u00e3o dela, ainda falta dar mais credibilidade \u00e0s pessoas com defici\u00eancia em cargos mais altos. \u201c\u00c9 mais f\u00e1cil voc\u00ea contratar uma pessoa que n\u00e3o tenha nenhum tipo de defici\u00eancia, porque muitos ainda vivem no \u2018achismo\u2019: eu acho que aquela pessoa com defici\u00eancia n\u00e3o consegue executar determinadas tarefas\u201d, lamenta. Ainda bem que esse n\u00e3o foi o caso da analista de marketing recifense Karla Nunes, de 29 anos. Ela ocupa um cargo alto na empresa de telefonia TIM em seu estado e garante que n\u00e3o encontrou dificuldades nesse sentido, pois conseguiu se formar em um curso superior antes de entrar na empresa.<\/p>\n<p>Apesar das boas condi\u00e7\u00f5es no trabalho, Karla tamb\u00e9m passa por dificuldades na mobilidade. Aos 20 anos, decidiu sair da casa da m\u00e3e para aprender a se virar sozinha. Moradora da Zona Oeste de Recife, ela precisa pegar tr\u00eas \u00f4nibus para chegar ao trabalho e depois mais tr\u00eas para voltar. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil \u00e0s vezes, porque tem que contar com os elevadores do \u00f4nibus, que nem sempre est\u00e3o funcionando\u201d, relata. Al\u00e9m dessa limita\u00e7\u00e3o, Karla ainda exp\u00f5e o que as pessoas com defici\u00eancia sofrem. \u201cAs pessoas ainda t\u00eam um pouco de preconceito. Acho que a empresa deve admitir pessoas com defici\u00eancia pela qualifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o por cotas. Mas acho importante, a cota \u00e9 necess\u00e1ria, porque estamos em processo de transi\u00e7\u00e3o, de aceita\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>Cotas<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a Lei 8.213, de 1991, a empresa que tiver 100 ou mais empregados dever\u00e1 preencher entre 2% e 5% dos cargos com pessoas com defici\u00eancia ou pessoas reabilitadas. A propor\u00e7\u00e3o aumenta de acordo com o n\u00famero de funcion\u00e1rios. Uma empresa at\u00e9 200 funcion\u00e1rios, por exemplo, ter\u00e1 que dispor de 2% das vagas. Uma empresa que tenha entre 201 e 500 empregados, 3%. De 501 a 1.000, 4%, enquanto a empresa que tiver de 1.001 em diante dever\u00e1 contratar 5% dos cargos para pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Roselma da Silva Cavalcante se diz a favor das cotas diante da realidade atual. \u201cAs cotas s\u00e3o vi\u00e1veis, sim. Voc\u00ea ter uma cota, de certa forma, inclui aquela pessoa, por mais que seja uma obriga\u00e7\u00e3o. Contratar essas pessoas n\u00e3o \u00e9 um trabalho social\u201d, avisa. \u201cQueira ou n\u00e3o, a nossa sociedade ainda \u00e9 discriminat\u00f3ria. \u00c9 com o negro, mulher, idosos, pessoas com defici\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Dentro dessas cotas, h\u00e1 uma categoria que n\u00e3o est\u00e1 inclu\u00edda: a de aprendizes. Segundo o artigo 93, par\u00e1grafo 3\u00ba da Lei 8.213, a reserva de cargos \u00e9 v\u00e1lida somente na contrata\u00e7\u00e3o direta de pessoas com defici\u00eancia. Mikael Ramos, 20 anos, \u00e9 um jovem aprendiz e tem pr\u00f3tese nas pernas. Ele tem o ensino m\u00e9dio completo e decidiu fazer o curso de assistente administrativo no Senai para se qualificar. Mikael participa de um programa de aprendiz dentro da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e p\u00f5e em pr\u00e1tica aquilo que aprende no curso t\u00e9cnico. Ele garante que n\u00e3o se sente discriminado.<\/p>\n<p>A coordenadora do Programa Senai de Acesso \u00e0 Inclus\u00e3o no Distrito Federal, Ana Lu\u00edza Brito, explica que os cursos dispon\u00edveis s\u00e3o abertos a todos e que as especificidades de cada aluno s\u00e3o atendidas. Por meio de entrevista, o candidato ao curso relata quais as dificuldades e a partir da\u00ed s\u00e3o tomadas as provid\u00eancias para a adequa\u00e7\u00e3o. \u201cTudo para que a pessoa com defici\u00eancia esteja em igual condi\u00e7\u00e3o com os demais alunos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Inclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Uma proposta de 2016 que est\u00e1 no Congresso Nacional quer alterar o par\u00e1grafo 3\u00ba do artigo 93. O projeto de lei 5260, de autoria do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT), quer incluir a pessoa com defici\u00eancia na condi\u00e7\u00e3o de aprendiz nas chamadas cotas. Para o relator desse projeto, o deputado Misael Varella (DEM-MG), a medida vai beneficiar especialmente as empresas. \u201cA ideia \u00e9 que a empresa possa come\u00e7ar com um aprendiz, conhec\u00ea-lo e depois fazer a efetiva\u00e7\u00e3o dele.\u201d<\/p>\n<p>Kelli Tavares \u00e9 co-fundadora de um site de empregos exclusivo para pessoas com defici\u00eancia, o Deficiente Online. S\u00e3o mais de 64 mil cadastrados no portal e mais de quatro mil vagas dispon\u00edveis exclusivas para pessoas com defici\u00eancia &#8211; inclusive para aprendizes. A ideia surgiu porque o esposo de Kelli nasceu sem uma das m\u00e3os. Ele \u00e9 da \u00e1rea de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e ela \u00e9 de recursos humanos. Juntos, decidiram h\u00e1 dez anos criar o site.<\/p>\n<p>O cadastro no Deficiente Online \u00e9 gratuito e os fundadores tamb\u00e9m prestam assessoria para quem contrata pessoas com defici\u00eancia. Durante esse tempo, eles j\u00e1 atenderam 1,3 mil empresas. Kelli garante que os curr\u00edculos cadastrados v\u00e3o direto para os empregadores, sem intermedi\u00e1rio, e as empresas informam no an\u00fancio as condi\u00e7\u00f5es de adapta\u00e7\u00e3o do local. \u201cClaro que em um mundo ideal todas as empresas deveriam ser assim\u201d, diz. Outra constata\u00e7\u00e3o de Kelli \u00e9 que o mercado est\u00e1 se abrindo mais para essas pessoas.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 caso da TIM, local de trabalho da Karla Nunes, que conhecemos l\u00e1 no in\u00edcio. A gerente de RH da empresa, Renata Pimentel, afirma que o processo seletivo n\u00e3o \u00e9 espec\u00edfico e que elas podem se encaixar em qualquer cargo l\u00e1 dentro. \u201cA nossa preocupa\u00e7\u00e3o interna \u00e9, estando dentro da empresa, n\u00f3s termos as condi\u00e7\u00f5es de acessibilidade ou de alguma adequa\u00e7\u00e3o que a pessoa precise para desempenhar as atividades como qualquer outro colaborador.\u201d<\/p>\n<p>*Com colabora\u00e7\u00e3o de Karenina Moss<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deputado federal Misael Varella fala sobre projeto de inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia no mercado de trabalho, no qual \u00e9 relator Por Jalila Arabi* Todos os dias, Roselma da Silva Cavalcante, de 47 anos, cumpre uma agenda cheia. 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