{"id":41388,"date":"2017-09-28T11:54:53","date_gmt":"2017-09-28T14:54:53","guid":{"rendered":"http:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/?p=41388"},"modified":"2017-09-28T11:57:05","modified_gmt":"2017-09-28T14:57:05","slug":"a-violencia-nos-morros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/a-violencia-nos-morros\/","title":{"rendered":"A viol\u00eancia nos morros"},"content":{"rendered":"<p>Houve um tempo em que os morros ou regi\u00f5es perif\u00e9ricas dos grandes centros urbanos n\u00e3o eram conhecidos pela viol\u00eancia das fac\u00e7\u00f5es do tr\u00e1fico, como s\u00e3o hoje. Tirando fora o mero romantismo, os morros guardavam at\u00e9 certa poesia e conservavam e cultuavam uma cultura peculiar que os diferenciavam da cultura do asfalto. Quer na originalidade vocabular, quer nos h\u00e1bitos cotidianos, possu\u00edam um modo pr\u00f3prio de ser.<\/p>\n<p>A superpopula\u00e7\u00e3o dos grandes centros, provocada pela industrializa\u00e7\u00e3o, acabou por empurrar para essas \u00e1reas contingentes imensos de popula\u00e7\u00e3o, sem as m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura. Abandonadas pelo poder p\u00fablico, sempre omisso nas quest\u00f5es sociais, essas \u00e1reas \u201cfavelizadas\u201d tornaram-se presa f\u00e1cil para o tr\u00e1fico de drogas il\u00edcitas. O poder do tr\u00e1fico, importador de drogas e de armas de grosso calibre, cresceu e multiplicou-se em fac\u00e7\u00f5es disputando a tiros o dom\u00ednio de cada regi\u00e3o, at\u00e9 que se tornaram um poder paralelo ao Estado. O crime organizado organizou-se melhor do que o Estado que teria a fun\u00e7\u00e3o e o dever de combat\u00ea-lo. Hoje assistimos pelos notici\u00e1rios a um clima de guerra em que participam quadrilhas rivais e as for\u00e7as policiais, aterrorizando a popula\u00e7\u00e3o. Mata-se mais gente nesses confrontos do que nos confrontos no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Esses problemas n\u00e3o t\u00eam sua raiz apenas na injusta distribui\u00e7\u00e3o de riquezas. Se fosse assim, n\u00e3o ter\u00edamos esse imenso contingente de pol\u00edticos, empres\u00e1rios e diretores de Estatais corruptos, como temos. Bem abonados e com grossas contas em Bancos, esses homens n\u00e3o teriam a necessidade econ\u00f4mica como motor para sua corrup\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de uma injusta distribui\u00e7\u00e3o de riquezas, h\u00e1 em nosso pa\u00eds a consci\u00eancia da impunidade, a certeza de que tudo pode acabar mesmo em pizza. Por isso, mais da metade (e talvez muito mais) dos integrantes do nosso Congresso est\u00e3o envolvidos em algum esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o. Um Governo assim, onde um ex-presidente da Rep\u00fablica est\u00e1 condenado a quase dez anos de cadeia por corrup\u00e7\u00e3o; uma ex-presidente perdeu seu mandato por irregularidades no governo; Ex-Governadores presos por corrup\u00e7\u00e3o; o atual Presidente denunciado por corrup\u00e7\u00e3o e grande leva de Ministros, Deputados e Senadores com o mesmo destino, era de se esperar que o governo, ou o desgoverno desse nosso amado Brasil acabasse cedendo lugar ao poder paralelo da criminalidade. Moral e eticamente, entre esses pol\u00edticos e empres\u00e1rios condenados e os traficantes, n\u00e3o existe nenhuma diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>E pensar que a esquerda contribuiu imensamente para isso! Quando, na \u00e9poca do Governo Militar, os terroristas e assaltantes de bancos de Organiza\u00e7\u00f5es Terroristas como a POLOP-Pol\u00edtica Oper\u00e1ria, COLINA-Comando de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, VAR-Palmares e dezenas de outras, eram presos na Ilha Grande, ensinavam aos presos comuns alojados naquele pres\u00eddio, as t\u00e9cnicas de subvers\u00e3o como o uso de bombas caseiras, assaltos a quarteis e a Bancos. Contribu\u00edram assim para o \u201caperfei\u00e7oamento\u201d daqueles presos. Hoje, muitas das t\u00e9cnicas usadas pelas gangs dos morros s\u00e3o aperfei\u00e7oamentos daqueles primeiros ensinamentos ministrados. O interessante \u00e9 que muitos daqueles antigos \u201cpresos pol\u00edticos\u201d, (como gostavam de ser chamados) se transformaram em \u201cpol\u00edticos presos\u201d. Por isso as pessoas com mais de setenta anos e que viveram em grandes centros na \u00e9poca dos Governos Militares, quando assistem ao fantasioso seriado da Globo \u201cOs Dias eram Assim\u201d, entendem perfeitamente que, na realidade, os dias n\u00e3o eram assim&#8230;<\/p>\n<p>Mas a viol\u00eancia veio e se instalou nos grandes centros urbanos e se espalha por cidades menores, como a nossa Muria\u00e9. O povo ordeiro se transforma em ref\u00e9m da viol\u00eancia e se gradeia em suas resid\u00eancias transformadas em pris\u00f5es domiciliares. Sabemos que \u00e9 necess\u00e1ria sim uma revis\u00e3o nas a\u00e7\u00f5es sociais que se empreendem. \u00c9 necess\u00e1ria uma moraliza\u00e7\u00e3o urgente nos quadros pol\u00edticos e empresariais contaminados pela corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia seria a unidade principal para essa transforma\u00e7\u00e3o. Mas isso \u00e9 coisa para m\u00e9dio e longo prazo. A urg\u00eancia maior e mais imediata est\u00e1 mesmo no enfrentamento ao Poder Paralelo que se instalou com um eficaz e en\u00e9rgico poder de pol\u00edcia. H\u00e1 momentos em que o papo psicol\u00f3gico e antropol\u00f3gico deve ser deixado para depois.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Houve um tempo em que os morros ou regi\u00f5es perif\u00e9ricas dos grandes centros urbanos n\u00e3o eram conhecidos pela viol\u00eancia das fac\u00e7\u00f5es do tr\u00e1fico, como s\u00e3o hoje. Tirando fora o mero romantismo, os morros guardavam at\u00e9 certa poesia e conservavam e cultuavam uma cultura peculiar que os diferenciavam da cultura do asfalto. 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