{"id":27259,"date":"2017-03-30T21:26:31","date_gmt":"2017-03-31T00:26:31","guid":{"rendered":"http:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/?p=27259"},"modified":"2017-03-30T21:26:31","modified_gmt":"2017-03-31T00:26:31","slug":"os-funerais-de-antigamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/os-funerais-de-antigamente\/","title":{"rendered":"Os funerais de antigamente"},"content":{"rendered":"<p>Falar da morte nem sempre \u00e9 um assunto agrad\u00e1vel, mas a morte faz parte da vida e s\u00f3 existe porque existe a vida como sua ant\u00edtese, e \u00e9 das duas que surge a s\u00edntese, que \u00e9 a exist\u00eancia. Eu queria lembrar como era lidar com a morte em tempos passados.<\/p>\n<p>Nos anos 50, as cerim\u00f4nias f\u00fanebres eram bem diferentes. Traziam do passado todo um cerimonial pr\u00f3prio que permaneceu por muito tempo, principalmente nas cidades do interior, mais afeitas a conservar tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os vel\u00f3rios eram na casa do falecido, junto da fam\u00edlia e dos amigos, e o interessante \u00e9 que n\u00e3o era comum existirem caix\u00f5es prontos nas funer\u00e1rias (pelo menos totalmente prontos). O dono da empresa, ou um funcion\u00e1rio seu, chegava \u00e0 casa do morto, pedia licen\u00e7a e, todo circunspecto, tirava do bolso uma fita m\u00e9trica e media o falecido do alto da cabe\u00e7a ao ded\u00e3o do p\u00e9. A\u00ed sim, o caix\u00e3o seria terminado na f\u00e1brica na medida exata para caber o defunto. N\u00e3o deixava de ser um espet\u00e1culo constrangedor. E os caix\u00f5es variavam de qualidade e pre\u00e7o, \u00e9 obvio, como nos dias de hoje. Havia os totalmente de madeira e aqueles s\u00f3 com arma\u00e7\u00e3o de madeira; o resto era um pano quase transparente, na cor roxa para a maioria, ou branca, se fosse uma crian\u00e7a ou uma donzela.<\/p>\n<p>Para avisar os amigos e conhecidos, existiam as Cartas F\u00fanebres, impressas com tinta preta em um papel de qualidade inferior, que eram distribu\u00eddas pela cidade. Atrav\u00e9s daquele informativo, tomava-se conhecimento do falecimento de um conhecido, com informa\u00e7\u00f5es sobre o hor\u00e1rio do vel\u00f3rio, endere\u00e7o e hora do sepultamento.<\/p>\n<p>Como os vel\u00f3rios eram realizados em casa, havia o cortejo f\u00fanebre, que era uma verdadeira prociss\u00e3o (com reza e tudo), que ia da resid\u00eancia do falecido ao cemit\u00e9rio (normalmente administrado pela par\u00f3quia local). Quatro pessoas iam segurando as al\u00e7as do esquife, revezando-se com outras quando o trajeto era longo. \u00c0 medida que o cortejo ia passando pelas ruas, as casas comerciais tinham o h\u00e1bito de baixar as portas at\u00e9 ao meio em sinal de respeito.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o enterro, seguia-se um per\u00edodo de luto para os membros da fam\u00edlia. Existia o \u201cluto fechado\u201d, em que os parentes mais pr\u00f3ximos s\u00f3 se vestiam de preto durante um certo tempo, e o \u201cluto aliviado\u201d, no qual outras cores discretas podiam entrar no vestu\u00e1rio, combinando com o preto. Isso para as mulheres, pois para os homens era usual usar uma tarja de pano preto na manga da camisa ou na lapela do palet\u00f3. Mas a manifesta\u00e7\u00e3o do luto varia de acordo com as culturas. O uso do preto, por exemplo, \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o do mundo crist\u00e3o, mas no Jap\u00e3o, a cor para o luto \u00e9 a azul e na China \u00e9 a branca.<\/p>\n<p>Tudo bem que esse \u00e9 um tema l\u00fagubre para se tratar em uma coluna de jornal, mas n\u00e3o deixa de ser uma reminisc\u00eancia hist\u00f3rica que faz parte da vida e da hist\u00f3ria da nossa cidade. Mas a vida sempre revela surpresas. Certa vez, isso l\u00e1 pelos anos de 1959, eu estava voltando com dois colegas atiradores de uma instru\u00e7\u00e3o no Tiro de Guerra 99 quando, na altura da Avenida Constantino Pinto, deparamos com duas pessoas, a passo acelerado, carregando um caix\u00e3o. Abordamos os dois e dissemos:<\/p>\n<p>&#8211; Podemos dar uma ajuda? Esse pobre coitado n\u00e3o tinha nem quatro amigos para carregar seu corpo?<\/p>\n<p>Os dois caras responderam com ar de riso:<\/p>\n<p>&#8211; Aqui n\u00e3o tem defunto n\u00e3o. Estamos levando o caix\u00e3o da marcenaria para a funer\u00e1ria&#8230;!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar da morte nem sempre \u00e9 um assunto agrad\u00e1vel, mas a morte faz parte da vida e s\u00f3 existe porque existe a vida como sua ant\u00edtese, e \u00e9 das duas que surge a s\u00edntese, que \u00e9 a exist\u00eancia. Eu queria lembrar como era lidar com a morte em tempos passados. 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