{"id":14940,"date":"2016-06-30T22:57:34","date_gmt":"2016-07-01T01:57:34","guid":{"rendered":"http:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/?p=14940"},"modified":"2016-06-30T22:57:34","modified_gmt":"2016-07-01T01:57:34","slug":"o-logos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/o-logos\/","title":{"rendered":"O \u201clogos\u201d"},"content":{"rendered":"<p>A palavra talvez seja o dom mais precioso do homem. Um instrumento que n\u00e3o vale por si s\u00f3, como uma pura e simples combina\u00e7\u00e3o de fonemas. Vale pelo pensamento que expressa ou tenta expressar. A palavra acompanha o homem desde o seu surgimento, como um instrumento primordial para comunicar as suas emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Antes do homem, precedendo-o no tempo, j\u00e1 era o \u201clogos\u201d, identificado com o Criador. E o homem se apropriou desse \u201clogos\u201d, reconstruiu-o \u00e0 sua maneira e o fez uma extens\u00e3o de si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Mas um instrumento assim, t\u00e3o poderoso, n\u00e3o poderia deixar de se contaminar pelas vicissitudes humanas e expressar, \u00e0s vezes, a mentira e o engodo dos demagogos ou o \u00f3dio e a intoler\u00e2ncia dos autorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mas o \u201clogos\u201d humano se presta a outras muitas utilidades e, na era da comunica\u00e7\u00e3o digital, da exaust\u00e3o informativa das redes sociais, estamos vendo coisas incr\u00edveis no universo dos \u201cWhatsApps\u201d. Agora, por exemplo, estamos vivendo o momento das mensagens pseudo-edificantes, \u00e0s vezes de fundo religioso, \u00e0s vezes de fundo filos\u00f3fico. \u00c9 uma enxurrada delas. As fontes s\u00e3o as mais diversas poss\u00edveis e, se o caboclo n\u00e3o tem certeza, coloca a frase na boca de qualquer um que lhe possa dar credibilidade. O Papa Francisco tem sido o autor da grande maioria das mensagens. H\u00e1 quem j\u00e1 o chame at\u00e9 de \u201cPapa Chico\u201d, na intimidade. Mas vemos mensagens de Nietzsche, de Santo Agostinho, de psiquiatras, psic\u00f3logos, entremeando-se a mensagens de humor (na maioria das vezes sem gra\u00e7a) e, \u00e9 claro, as de fundo er\u00f3tico. De qualquer modo, j\u00e1 est\u00e1 dif\u00edcil manter aquilo tudo na mem\u00f3ria do aparelhinho.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, passei a ser seletivo. Deleto diariamente quase que a totalidade das mensagens e fotos, at\u00e9 para facilitar o acesso ao que de fato me interessa no meu WhatsApp. Procuro usar o sistema como uma ferramenta \u00fatil, at\u00e9 para divertir-me. N\u00e3o confio em mensagens de autoria duvidosa e elimino de cara aqueles \u201clugares comuns\u201d de autoajuda e cultivo um h\u00e1bito ao manusear o WhatsApp: jamais leio os textos que tenham mais de dois dedos de extens\u00e3o. Chega um momento em nossa vida que a idade j\u00e1 nos subtraiu o tempo e a paci\u00eancia necess\u00e1rios para ler mensagens longas. Afinal, elas nos dizem sempre aquilo que j\u00e1 sabemos.<\/p>\n<p>Eu gosto das palavras, gosto de trabalhar com elas, faz\u00ea-las de tijolos para construir os meus castelos de fantasia. N\u00e3o trocaria todas as telas de computadores do mundo e os seus maravilhosos e inesgot\u00e1veis recursos pelos livros que tenho em minha biblioteca. Quantas vezes j\u00e1 percorri aquelas milhares de p\u00e1ginas daquelas centenas de autores. Mas, a cada vez que as leio, encontro sempre coisas novas. As obras mudaram? N\u00e3o! Sou eu que mudo a cada dia e leio essas coisas com um novo entendimento. Assim, as obras que eu tenho em minhas estantes se multiplicam, pois me trazem sempre uma mensagem nova a cada vez que eu as revisito.<\/p>\n<p>Por isso, eu acho o WhatsApp pobre e o uso apenas funcionalmente. Para as minhas emo\u00e7\u00f5es, eu fico mesmo com as p\u00e1ginas j\u00e1 amareladas dos meus velhos livros&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra talvez seja o dom mais precioso do homem. Um instrumento que n\u00e3o vale por si s\u00f3, como uma pura e simples combina\u00e7\u00e3o de fonemas. Vale pelo pensamento que expressa ou tenta expressar. A palavra acompanha o homem desde o seu surgimento, como um instrumento primordial para comunicar as suas emo\u00e7\u00f5es. 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