{"id":13916,"date":"2016-05-25T23:16:00","date_gmt":"2016-05-26T02:16:00","guid":{"rendered":"http:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/?p=13916"},"modified":"2016-05-25T23:16:00","modified_gmt":"2016-05-26T02:16:00","slug":"a-instancia-poetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/a-instancia-poetica\/","title":{"rendered":"A inst\u00e2ncia po\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p>A poesia \u00e9 uma inst\u00e2ncia da alma, um atributo do homem e \u00e0 sua forma de expressar o que sente, em uma linguagem pr\u00f3pria. A poesia est\u00e1 presente em todos os povos e em todas as \u00e9pocas.<\/p>\n<p>Mas, se a inspira\u00e7\u00e3o po\u00e9tica \u00e9 espont\u00e2nea, a sua express\u00e3o carrega muito de racionalidade. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a pr\u00f3pria palavra \u201cpoesia\u201d tem sua origem no termo \u201cpoiesis\u201d, do antigo grego, que significa cria\u00e7\u00e3o, a\u00e7\u00e3o ou capacidade de produzir ou fazer alguma coisa, especialmente de forma criativa. Poesia tem uma rela\u00e7\u00e3o estreita com est\u00e9tica \u201caisthesis\u201d, que significa sentir. O homem sente a \u201cemo\u00e7\u00e3o est\u00e9tica\u201d quando l\u00ea ou ouve um poema ou quando admira uma obra de arte ou uma paisagem que o toca interiormente.<\/p>\n<p>Na literatura, a for\u00e7a po\u00e9tica est\u00e1 na palavra, seu ve\u00edculo de express\u00e3o, e a palavra \u00e9 trabalhada pelo poeta ou escritor como o ouro pelo ourives ou como o diamante \u00e9 lapidado para se transformar em uma joia. E nada \u00e9 t\u00e3o complexo como a palavra, o verbo, o \u201clogos\u201d. \u00c0s vezes, as palavras parecem mortas no cemit\u00e9rio est\u00e1tico dos dicion\u00e1rios ou nos recantos esquecidos da mente. De repente, acordadas pelo poeta ou escritor, despertam de sua letargia e podem mover o mundo ou incendiar paix\u00f5es, como podem aquietar os \u00e2nimos e embalar os sonhos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil trabalhar a palavra e conferir-lhe a for\u00e7a po\u00e9tica. Drumond j\u00e1 dizia que \u201clutar com palavras \u00e9 a luta mais v\u00e3&#8230; e eu luto com elas mal come\u00e7a a manh\u00e3&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>Para ilustrar bem essa pequena prosa sobre palavra e poesia, nada melhor do que visitarmos o excelente poeta lusitano Ant\u00f4nio Gede\u00e3o. O grande poeta portugu\u00eas nasceu em Lisboa, em 1906 e faleceu na mesma cidade em 1995. Em sua obra \u201cPoesias completas\u201d, podemos contemplar e sentir toda a for\u00e7a po\u00e9tica de sua obra, da qual reproduzo alguns fragmentos:<\/p>\n<p><strong>AMOSTRA SEM VALOR<\/strong><\/p>\n<p>Eu sei que o meu desespero n\u00e3o interessa a ningu\u00e9m.<br \/>\nCada um tem o seu, pessoal e intransfer\u00edvel;<br \/>\ncom ele se entret\u00e9m<br \/>\ne se julga intang\u00edvel.<\/p>\n<p>Eu sei que a humanidade \u00e9 mais gente do que eu,<br \/>\nsei que o mundo \u00e9 maior do que o bairro onde habito,<br \/>\nque o respirar de um s\u00f3, mesmo que seja o meu,<br \/>\nn\u00e3o pesa no total que tende para o infinito.<\/p>\n<p>Eu sei que as dimens\u00f5es impiedosas da vida<br \/>\nignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,<br \/>\nnesta insignific\u00e2ncia, gratuita e desvalida,<br \/>\nUniverso sou eu, com nebulosas e tudo.<\/p>\n<p><strong>GOTA DE \u00c1GUA<\/strong><\/p>\n<p>Eu, quando choro,<br \/>\nn\u00e3o choro eu.<br \/>\nChoro aquilo que nos homens<br \/>\nem todo o tempo sofreu.<br \/>\nAs l\u00e1grimas s\u00e3o as minhas<br \/>\nMas o choro n\u00e3o \u00e9 meu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poesia \u00e9 uma inst\u00e2ncia da alma, um atributo do homem e \u00e0 sua forma de expressar o que sente, em uma linguagem pr\u00f3pria. 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