{"id":123930,"date":"2024-04-24T16:38:58","date_gmt":"2024-04-24T19:38:58","guid":{"rendered":"http:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/?p=123930"},"modified":"2024-04-24T16:39:09","modified_gmt":"2024-04-24T19:39:09","slug":"plantas-alimenticias-nao-convencionais-sao-retratadas-em-selo-pelos-correios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/anoticiaonline.com.br\/site\/plantas-alimenticias-nao-convencionais-sao-retratadas-em-selo-pelos-correios\/","title":{"rendered":"Plantas aliment\u00edcias n\u00e3o convencionais s\u00e3o retratadas em selo pelos Correios"},"content":{"rendered":"\n<p>Entrou em circula\u00e7\u00e3o, no dia 23 de abril, nos Correios a Emiss\u00e3o Postal Especial Plantas Aliment\u00edcias N\u00e3o Convencionais (PANC). O lan\u00e7amento da pe\u00e7a postal foi em S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul (RS), no dia 24, durante o 7\u00ba Encontro Nacional de Hortali\u00e7as N\u00e3o Convencionais. Composta de seis selos &#8211; a vinagreira, a taioba, o jambu, o mangarito, a ora-pro-n\u00f3bis e a bertalha -, a emiss\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel nas principais ag\u00eancias do Pa\u00eds e na loja virtual dos Correios. As PANC possuem uma ou mais partes aliment\u00edcias que n\u00e3o fazem parte do dia a dia. S\u00e3o esp\u00e9cies regionais, em geral mantidas pelos pr\u00f3prios agricultores, restritas a quintais e hortas dom\u00e9sticas. Algumas apresentam import\u00e2ncia econ\u00f4mica e cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>As plantas aliment\u00edcias n\u00e3o convencionais possuem destacado potencial nutricional, como o teor de prote\u00edna e minerais em ora-pro-n\u00f3bis, de \u00f4mega-3 em beldroega, de ferro em taioba, de sel\u00eanio em cariru, de lute\u00edna em capuchinha. Apresentam ainda reconhecido valor culin\u00e1rio, gastron\u00f4mico e cultural. Por essas caracter\u00edsticas, s\u00e3o fundamentais para a soberania e seguran\u00e7a alimentar e nutricional, para a mitiga\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais e para o enfrentamento dos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desse potencial, em fun\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as do padr\u00e3o de vida da sociedade moderna, com a globaliza\u00e7\u00e3o e a verticaliza\u00e7\u00e3o das cidades, houve redu\u00e7\u00e3o ou mesmo abandono de esp\u00e9cies antigamente comuns, como mangarito, araruta, jacatup\u00e9 e ari\u00e1, substitu\u00eddas por esp\u00e9cies com cadeias produtivas estruturadas, na forma de alimento processado ou ultra processado.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, observa-se tend\u00eancia cada vez maior de se buscar alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel e diversificada, com a valoriza\u00e7\u00e3o do alimento local ou regional, em contexto de produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica. Nessa linha, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) vem trabalhando com a tem\u00e1tica das PANC, mantendo cole\u00e7\u00e3o de Hortali\u00e7as PANC desde 2006 e desenvolvendo trabalhos de otimiza\u00e7\u00e3o dos sistemas produtivos em base agroecol\u00f3gica, com avalia\u00e7\u00e3o agron\u00f4mica, caracteriza\u00e7\u00e3o nutricional e estudo da vida \u00fatil.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil possui rico patrim\u00f4nio de PANC, muitas delas esp\u00e9cies nativas, umas ditas naturalizadas e algumas ex\u00f3ticas cultivadas, como o peixinho, a azedinha e o muricato.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os selos \u2013 Esta emiss\u00e3o \u00e9 composta de seis selos de plantas aliment\u00edcias n\u00e3o convencionais: a vinagreira, a taioba, o jambu, o mangarito, a ora-pro-n\u00f3bis e a bertalha. Cada selo captura a beleza \u00fanica de cada planta e celebra a biodiversidade e riqueza cultural das PANC. O estilo das artes foi inspirado no Impressionismo, com sombras na cor violeta. Os selos trazem tamb\u00e9m, em microletras, o nome popular e cient\u00edfico da planta ilustrada. Com t\u00e9cnica de aquarela e arte de Lidia Marina Hurovich Neiva, a emiss\u00e3o tem tiragem de 96 mil selos. S\u00e3o 12 selos por folhas e cada selo tem valor facial de 1\u00ba porte de carta (R$ 2,55).<\/p>\n\n\n\n<p>A bertalha (Basella alba) \u00e9 hortali\u00e7a folhosa, herb\u00e1cea, pertencente \u00e0 fam\u00edlia bot\u00e2nica Basellacea, oriunda da \u00cdndia e do Sudeste Asi\u00e1tico, disseminada pelas regi\u00f5es tropicais do planeta. No Brasil, \u00e9 comum no Rio de Janeiro, sendo frequentemente encontrada em feiras e quitandas. Come-se as folhas picadas refogadas ou cozidas brevemente, muitas vezes com ovos ou em pratos com carnes. Quando ainda tenras, como salada crua. Os talos grossos tamb\u00e9m podem ser picados e refogados para enriquecer o arroz e o feij\u00e3o. Prato mais t\u00edpico: bertalha com ovos mexidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O jambu (Acmella oleracea), planta da fam\u00edlia bot\u00e2nica Asteraceae, \u00e9 hortali\u00e7a folhosa, herb\u00e1cea, considerada naturalizada na Amaz\u00f4nia. As folhas e especialmente as infloresc\u00eancias s\u00e3o ricas em espilantina, subst\u00e2ncia com propriedades anest\u00e9sicas que causam leve amortecimento das mucosas e saliva\u00e7\u00e3o. O jambu \u00e9 s\u00edmbolo da culin\u00e1ria amaz\u00f4nica, consumido nos t\u00edpicos pratos pato no tucupi, tambaqui no tucupi, caldeirada de peixe e principalmente no \u201ctacac\u00e1\u201d, acompanhando tucupi, goma da mandioca e camar\u00e3o salgado.<\/p>\n\n\n\n<p>O mangarito (Xanthosoma riedelianum) ou taya\u00f3 (em idioma Guarani) \u00e9 nativo do Brasil e fazia parte da dieta dos \u00edndios quando da chegada dos colonizadores portugueses. Muito apreciado no passado, nos dias de hoje \u00e9 praticamente desconhecido, encontrado esporadicamente em feiras no interior de Minas Gerais ou no circuito de alimenta\u00e7\u00e3o PANC. Pertence \u00e0 fam\u00edlia Areacea, produz tub\u00e9rculos comest\u00edveis, bastante cal\u00f3ricos. As folhas s\u00e3o comest\u00edveis, sempre refogadas, mas s\u00e3o os rizomas que representam verdadeira iguaria culin\u00e1ria de paladar especial. Tamb\u00e9m \u00e9 especial em cremes ou pur\u00eas. No meio rural, era comum cozido ou assado com melado no lanche ou caf\u00e9 da manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora-pro-n\u00f3bis (Pereskia aculeata), planta nativa da Am\u00e9rica tropical, incluindo o Brasil, pertencente \u00e0 fam\u00edlia Cactaceae, uma das poucas cact\u00e1ceas com folhas desenvolvidas. As flores e os frutos s\u00e3o comest\u00edveis, mas o alimento principal s\u00e3o as folhas, consideradas a \u201ccarne verde\u201d pelo alto teor de minerais, especialmente ferro, magn\u00e9sio, zinco, mangan\u00eas e c\u00e1lcio, e prote\u00ednas com perfil de amino\u00e1cidos. Muito usada na culin\u00e1ria mineira no circuito das cidades hist\u00f3ricas, acompanhando frango caipira, costelinha su\u00edna ou outras carnes ensopadas. Pode-se preparar as folhas inteiras ou picadas bem fininhas como couve, conferindo assim maior cremosidade aos pratos devido \u00e0 maior libera\u00e7\u00e3o da sua mucilagem. Tamb\u00e9m se preparam tortas salgadas, farofas e bolinhos, al\u00e9m de usar folhas novas ainda tenras em saladas. Em Sabar\u00e1 (MG), ocorre o festival anual do ora-pro-n\u00f3bis.<\/p>\n\n\n\n<p>Taioba (Xanthosoma taioba) \u00e9 herb\u00e1cea perene, nativa das Am\u00e9ricas, incluindo o Brasil. \u00c9 muito plantada no Sudeste brasileiro, em especial no Esp\u00edrito Santo, no Rio de Janeiro e na Zona da Mata mineira, em geral em baixadas \u00famidas. As folhas s\u00e3o consumidas sempre refogadas ou cozidas, nunca cruas devido aos teores de cristais de oxalato de c\u00e1lcio que causam coceira, desconforto e inflama\u00e7\u00e3o das mucosas, mas que se degradam com o aquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A vinagreira (Hibiscus sabdariffa), cux\u00e1 ou quiabo-de-angola, planta da fam\u00edlia Malvaceae, est\u00e1 distribu\u00edda pelo mundo como mat\u00e9ria-prima para o ch\u00e1 de hibisco. Mas \u00e9 na \u00c1frica Ocidental, de onde \u00e9 origin\u00e1ria, e principalmente no Brasil, especificamente no Maranh\u00e3o, trazida pelos escravizados, que assume maior import\u00e2ncia como hortali\u00e7a folhosa. As flores branco-amareladas tamb\u00e9m s\u00e3o comest\u00edveis, e os c\u00e1lices, parte externa dos frutos, carnosos e vermelhos, s\u00e3o mat\u00e9ria-prima, al\u00e9m do ch\u00e1, de sucos, geleias e doces. As folhas s\u00e3o ricas em fibras, prote\u00ednas e vitamina C. O ch\u00e1 tem efeito digestivo e propriedades antioxidantes. As folhas s\u00e3o consumidas em saladas, quando jovens e tenras, ou em cozidos com arroz ou peixe seco. Na culin\u00e1ria maranhense, \u00e9 o ingrediente principal do t\u00edpico \u201carroz de cux\u00e1\u201d, feito com arroz, camar\u00e3o seco e vinagreira (cux\u00e1).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrou em circula\u00e7\u00e3o, no dia 23 de abril, nos Correios a Emiss\u00e3o Postal Especial Plantas Aliment\u00edcias N\u00e3o Convencionais (PANC). O lan\u00e7amento da pe\u00e7a postal foi em S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul (RS), no dia 24, durante o 7\u00ba Encontro Nacional de Hortali\u00e7as N\u00e3o Convencionais. 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